Introdução
Três dos predadores mais formidáveis da Ásia compartilham território em um vale remoto do Nepal, de acordo com um novo estudo. Os pesquisadores descobriram que a dieta, e não o tempo ou o espaço, é o que impede que os leopardos-das-neves (Panthera uncia), leopardos comuns (Panthera pardus) e lobos himalaio (Canis lupus chanco) entrem em conflito direto.
Métodos de Pesquisa
O estudo, publicado na PLOS One, foi baseado em mais de seis anos de monitoramento com câmeras e análise de fezes no vale de Lapchi, na área de conservação de Gaurishankar, nos Himalaias centrais do Nepal. Os pesquisadores instalaram 26 câmeras ao longo do paisagem durante três períodos de levantamento entre 2018 e 2025 e identificaram a dieta de cada predador analisando o DNA fecal e examinando os pelos da presa sob um microscópio.
Resultados
Os leopardos-das-neves se alimentam principalmente de ungulados selvagens, incluindo ovelhas-azuis (Pseudois nayaur), cervos-almiscarados (Moschus leucogaster), tahrs himalaio (Hemitragus jemlahicus) e seraus himalaio (Capricornis sumatraensis). As ovelhas-azuis sozinhas compõem quase metade da dieta dos leopardos-das-neves.
Os lobos himalaio comem uma mistura de presas selvagens, como ovelhas-azuis e cervos-almiscarados, bem como gado, como cabras, cavalos e iaque (Bos grunniens). Os leopardos dependem fortemente do gado e de animais associados a assentamentos humanos, incluindo cães, embora cervos-barkindo (Muntiacus muntjak) e gorais (Naemorhedus goral) também apareçam em suas fezes.
Análise e Implicações
Os leopardos-das-neves e os lobos compartilham cerca de três quartos de suas presas, muito mais do que qualquer um deles compartilha com os leopardos. Dos três, os leopardos-das-neves têm a dieta mais restrita, concentrando-se em ungulados selvagens.
Conclusão
Este estudo fornece insights valiosos sobre a coexistência de predadores aparentemente competitivos em um ecossistema frágil. A compreensão das dietas e dos padrões de atividade desses animais pode informar estratégias de conservação eficazes para proteger essas espécies icônicas e seus habitats.
Fonte / Referência
Este artigo foi originalmente publicado em Mongabay