O Que Aconteceu
A Moratória da Soja, uma iniciativa bem-sucedida que contou com a mobilização do setor privado, sociedade civil e governo para conter o avanço do plantio da oleaginosa sobre a vegetação nativa na Amazônia, está com seus dias contados. Após quase 20 anos de vigência, o esvaziamento do acordo nos últimos meses traz de volta o fantasma do desmatamento atrelado à commodity agrícola.
Um estudo publicado na revista Science revela que o fim da Moratória da Soja pode ampliar o desmatamento na Amazônia ao longo da próxima década. De acordo com a pesquisa, cerca de 1,4 milhão de hectares – quase 10 cidades de São Paulo – poderão ser desmatados, o equivalente a 17% do desmatamento dos últimos dez anos.
Por Que Isso Importa
O impacto disso em termos de emissões é expressivo: cerca de 745 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e), comparável às emissões anuais do Canadá. Além disso, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas amazônicos terão consequências irreversíveis para o planeta.
A análise foi realizada por pesquisadores das Universidades de Wisconsin, DePaul e Illinois (EUA), bem como do Greenpeace Brasil e do WWF-Brasil. Além de reforçar a importância da Moratória para a contenção do desmatamento amazônico nos últimos 20 anos, o estudo também ressalta o risco de retrocesso em um cenário de descontinuidade da iniciativa.
O Mecanismo por Trás do Desmatamento
Segundo a pesquisa, 9,1 milhões de hectares de vegetação em terras privadas, o equivalente a Portugal, poderão ser desmatados legalmente para cultivo sem a Moratória da Soja. Outros 28,7 milhões de hectares em florestas públicas não destinadas, área comparável à Itália, também estarão vulneráveis.
“O efeito do fim da Moratória não vai ser majoritariamente nas propriedades que já produzem soja, vai ser nas outras, porque já abriu a perspectiva para expansão em áreas que nunca tiveram soja antes”, explica Lisa Rausch, da Universidade de Wisconsin, coautora do estudo.
Contexto Mais Amplo
Dados do estudo indicam que, em seus primeiros dez anos de vigência, a Moratória permitiu a redução do desmatamento em 35% em áreas de risco para expansão da soja. A perda florestal evitada é estimada em 1,8 milhão de hectares.
“A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação”, observa Tiago Reis, do WWF-Brasil, outro coautor da pesquisa.
O Que Vem a Seguir
A validação das leis estaduais pelo STF terá impacto no quanto as empresas serão encorajadas a assumir compromissos mais ambiciosos em relação ao Código Florestal, podendo também afetar outras cadeias produtivas, frisa Cristiane Mazzetti, coordenadora de florestas do Greenpeace Brasil e também coautora do estudo.
É fundamental que haja uma conscientização sobre a importância da preservação da Amazônia e que sejam tomadas medidas concretas para evitar o desmatamento e a degradação ambiental.
Consequências e Desafios
Além dos impactos ambientais, o fim da Moratória da Soja também terá consequências econômicas e sociais. A perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas amazônicos afetarão a produção agrícola e a segurança alimentar, além de afetar as comunidades indígenas e tradicionais que dependem da floresta para sua sobrevivência.
É necessário que haja um esforço conjunto entre governos, empresas e sociedade civil para encontrar soluções sustentáveis e equitativas para o desenvolvimento da região amazônica.
Source / Reference
Original URL: https://climainfo.org.br/2026/07/19/fim-da-moratoria-da-soja-pode-aumentar-em-17-desmatamento-na-amazonia/
Source Name: ClimaInfo