Introdução
Em outubro de 2025, a Petrobras deu início à perfuração do fundo do mar na região onde o Rio Amazonas deságua no Oceano Atlântico, após um longo e controverso processo de licenciamento ambiental. No centro do debate estavam as preocupações com a fauna única que habita a costa do Amapá e do Pará, bem como as dúvidas sobre a capacidade da empresa de resgatar os animais em caso de derramamento de óleo.
O Peixe-Boi-Marinho: Um Mamífero Ameaçado
Entre as potenciais vítimas de um possível derramamento de óleo estão aves marinhas, tartarugas e os recifes de coral descobertos recentemente na costa amazônica. No entanto, um mamífero marinho ameaçado de extinção causa especial preocupação devido aos desafios envolvidos em um possível resgate: o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), espécie que pode atingir cerca de 3,5 metros de comprimento e pesar, em média, 700 quilos; alguns indivíduos chegam a 1.600 quilos.
“Manejar e transportar animais com essa massa exige logística complexa e equipamentos de grande porte”, afirmou a bióloga marinha Fábia de Oliveira Luna, coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.
Consequências para a População de Peixes-Bois
Com uma população estimada em cerca de 10.000 indivíduos e uma taxa reprodutiva de um filhote a cada quatro anos, “cada indivíduo removido prejudica a manutenção da população”, disse Luna à Mongabay.
Além disso, o projeto petrolífero também coloca em risco um código genético único, compartilhado apenas pelos animais dessa região e resultado do cruzamento entre o peixe-boi-marinho e seu parente de água doce, o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis).
Conclusão
O plano da Petrobras para a nova fronteira do petróleo exclui o resgate de peixes-bois, o que pode ter consequências devastadoras para a população desses animais. É fundamental que sejam tomadas medidas para proteger essa espécie ameaçada de extinção e preservar a biodiversidade da região.
Source / Reference
Este artigo foi originalmente publicado em Mongabay