O que Aconteceu
Um estudo recente publicado na revista Climate Risk Management descobriu que o acesso a finanças pode fortalecer a resiliência climática das mulheres na África Subsaariana. A pesquisa analisou o impacto do acesso a finanças em mulheres que chefiam lares na região e concluiu que, onde as mulheres tinham acesso a serviços financeiros formais, como contas bancárias, os lares eram mais capazes de resistir a choques de curto prazo.
O estudo também destacou que os choques climáticos, como eventos meteorológicos extremos e os impactos das mudanças climáticas, podem causar crises econômicas, desestabilizando comunidades e lares. No entanto, os autores afirmam que, para proteger os lares de vulnerabilidades climáticas de longo prazo, o acesso a finanças precisaria ser combinado com esforços mais amplos para abordar a desigualdade de gênero.
Por Que Isso Importa
A resiliência climática é crucial para as comunidades na África Subsaariana, que são particularmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. A região enfrenta eventos meteorológicos extremos, ondas de calor, secas, incêndios florestais e inundações, além de escassez de alimentos e ameaças às colheitas.
As mulheres são desproporcionalmente afetadas pelos impactos das mudanças climáticas devido a uma série de fatores, incluindo disparidades de renda, taxas mais altas de deslocamento e acesso desigual à terra. A igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são essenciais para construir a resiliência climática na região.
O Mecanismo/Ciência por trás Disso
O estudo utilizou o quadro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para medir a inclusão financeira, considerando fatores como a posse de uma conta bancária, a propriedade de um telefone celular e o acesso à internet.
Os autores também utilizaram a métrica da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para medir a resiliência, avaliando a capacidade dos lares de resistir e se recuperar de choques e estressores.
Contexto Mais Amplo
A igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os ODS 5 e 13, que se referem à igualdade de gênero e à ação climática.
O estudo destaca a importância de abordar as desigualdades estruturais e culturais que impedem as mulheres de acessar serviços financeiros e de exercer sua autonomia econômica.
O que Acontece em Seguida
As políticas que abordam as barreiras estruturais e culturais à autonomia financeira das mulheres poderiam ser uma forma crucial de construir resiliência climática na África Subsaariana.
No entanto, o estudo reconhece que, mesmo quando o acesso a finanças é expandido, as normas de gênero e as restrições culturais continuam a moldar o empoderamento social das mulheres, afetando sua capacidade de se adaptar às mudanças climáticas a longo prazo.
Ultimamente, abordar as desigualdades estruturais é necessário para minimizar a vulnerabilidade climática, e apoiar a adaptação com acesso a finanças pode permitir que os lares absorvam choques sem cair na pobreza e se reconstruam após impactos climáticos.
Fonte / Referência
Este artigo foi baseado no estudo Access to finance ‘strengthens climate resilience’ among sub-Saharan women publicado no Carbon Brief.