Introdução
Após a COP30, o presidente Lula incumbiu quatro ministérios – Meio Ambiente, Minas e Energia, Fazenda e Casa Civil – a elaborarem as diretrizes para a construção do mapa do caminho brasileiro para além dos combustíveis fósseis. No entanto, cinco meses se passaram sem qualquer indício de publicação do roadmap nacional.
Tensões Internas
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, admite que as diretrizes não saíram devido a tensões internas no governo federal. “Chegamos a 95% de entendimento para fechar essa fase. Ainda existe uma contradição, uma complexidade, que faz com que a discussão ainda esteja em curso”.
Contradições e Desafios
A contradição, segundo Capobianco, envolve transição e pobreza energética. Ele menciona regiões do país onde os combustíveis fósseis são a principal fonte de energia. “Como vamos fazer essa transição considerando que temos que combater essa pobreza energética? É uma tensão entre os ministérios. Como vou abrir mão de uma fonte de energia ou acelerar a redução do uso se ainda tenho que resolver demandas que estão colocadas hoje? Surgem discussões”.
Posições Divergentes
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defende a necessidade de definição da trajetória e metas no mapa do caminho. Mas, de acordo com Capobianco, há áreas do governo que temem assumir objetivos e não conseguir cumpri-los, o que causaria a perda da credibilidade do plano, na avaliação desses setores.
Conclusão
É curioso que os setores do governo preocupados com a “perda de credibilidade” do mapa do caminho não se preocupem com não conseguir sequer traçar diretrizes para iniciar a construção desse mapa. Estamos falando de passos iniciais, indicações, para que esta roda comece a girar. Ou seja, parece mais uma desculpa para evitar falar no fim dos combustíveis fósseis.
Referências
Fonte: ClimaInfo