Introdução
A Zâmbia está enfrentando um desafio paradoxal. De um lado, o país está experimentando uma colheita recorde de milho, o que poderia sugerir uma situação de segurança alimentar estável. No entanto, especialistas alertam que essa aparente estabilidade pode mascarar vulnerabilidades subjacentes no sistema alimentar do país, tornando-o suscetível a choques externos, como os decorrentes da geopolítica e das mudanças climáticas.
Contexto Geopolítico e Ameaças Climáticas
A escalada do conflito envolvendo os EUA, Israel e Irã tem levantado preocupações sobre possíveis interrupções no suprimento de combustível e fertilizantes transportados pelo Estreito de Ormuz, o que poderia resultar em insegurança alimentar em alguns países africanos. Embora os efeitos desse conflito possam levar tempo para serem sentidos na Zâmbia, especialistas apontam para as vulnerabilidades no sistema alimentar do país e sugerem a necessidade de maior resiliência diante de possíveis estresses.
Situação Alimentar na Zâmbia
A segurança alimentar na Zâmbia é amplamente dependente de uma única cultura: o milho. De acordo com a Agência de Estatísticas da Zâmbia, o preço de uma bolsa de 25 quilogramas de farinha de milho para o café da manhã diminuiu ligeiramente de abril para maio. Na verdade, o preço da farinha de milho é 15% menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior.
Perspectivas e Desafios
O briefing do FAO de abril de 2026 para a Zâmbia indicou que as boas chuvas desde outubro do ano anterior apontam para um segundo ano consecutivo de colheitas acima da média de milho. As chuvas também são esperadas para apoiar a recuperação das colheitas de trigo, pois os reservatórios cheios significam um suprimento constante de energia hidrelétrica que permitirá aos agricultores (primariamente os grandes agricultores industriais) irrigar seus campos.
Conclusão
A Zâmbia enfrenta um cenário complexo, onde uma colheita recorde pode esconder desafios de insegurança alimentar. É crucial que o país fortaleça sua resiliência diante de ameaças externas e internas, diversificando sua produção agrícola e melhorando a gestão de seus recursos naturais para garantir a segurança alimentar de sua população.
Fonte / Referência: Mongabay