O Início da COP17 da Desertificação
A Conferência das Partes (COP) de 2026 começou na Mongólia, com a COP17 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação (UNCCD), na capital Ulaanbaatar. Durante as próximas duas semanas, diplomatas de quase 200 países negociarão propostas que podem reposicionar a UNCCD no plano internacional, com mais peso político a uma agenda historicamente desassistida pela comunidade global: a da desertificação, degradação e restauração de terras e da resiliência hídrica.
A Importância da UNCCD
A UNCCD é uma das “Convenções do Rio”, juntamente com as Convenções sobre Diversidade Biológica (CBD) e sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). A UNCCD quer aproveitar o encontro para destravar sua proposta mais ambiciosa até aqui: a construção de um mecanismo internacional para gestão de secas, apoiando governos com financiamento, cooperação e planejamento.
O Mecanismo Internacional para Gestão de Secas
A ideia foi apresentada há dois anos, na COP16 de Riad (Arábia Saudita), pelos países africanos, mas não avançou por conta da resistência de alguns países desenvolvidos. Nesse ínterim, um grupo de negociação ficou encarregado de buscar alternativas para esse mecanismo, o que deve voltar à agenda agora em Ulaanbaatar.
Por Que Isso Importa
A proposta representaria um avanço político importante para a UNCCD. Diferentemente das convenções da biodiversidade e do clima, que negociaram acordos e mecanismos internos para impulsionar medidas para proteção da biodiversidade (como o Marco Global de Kunming-Montreal) e enfrentamento da crise climática (como o Acordo de Paris), a Convenção de Desertificação não conseguiu viabilizar algo parecido em mais de 30 anos de operação, o que a deixou em uma condição de relevância política menor em relação às suas “irmãs”.
O Contexto Atual
O momento da COP17 não poderia ser mais oportuno. Afinal, vários continentes estão sofrendo os efeitos da seca impulsionada pelas mudanças climáticas e que deve ganhar força sob o El Niño, que caminha para ser um dos mais fortes já registrados – senão o mais forte.
A Situação no Brasil
A negociação interessa diretamente ao Brasil. O aumento da frequência e intensidade das secas no Semiárido e em outras partes do território aproxima a pauta de setores como agricultura, energia e gestão de recursos hídricos. Por isso, o Brasil levará à COP17 a maior delegação de sua história na UNCCD, com mais de 100 integrantes, entre representantes de ministérios, governos estaduais e de organizações da sociedade civil.
Iniciativas Brasileiras
Uma das iniciativas que o país apresentará é o Programa Recatingar, projeto para recuperação socioprodutiva de terras degradadas da Caatinga. O objetivo é chamar a atenção de instituições e financiadores internacionais para essa agenda de restauração.
Consequências da Desertificação
Atualmente, cerca de 18% do território brasileiro está sujeito à desertificação, em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, com destaque para a Caatinga, que abrange todo o Nordeste e parte de Minas Gerais. Cerca de 39 milhões de brasileiros são impactados pelos efeitos da desertificação.
Próximos Passos
Com a COP17 em andamento, é fundamental que os países trabalhem juntos para encontrar soluções para a desertificação e a degradação do solo. A construção de um mecanismo internacional para gestão de secas é um passo importante nesse sentido.
Source / Reference
Fonte: ClimaInfo